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1 nov/10

O Super Alex

Alex, o caipira das cambalhotas

por Aleco Mendes

Texto publicado na Revista do Inter (Alma Colorada)
Edição número 9 – Ano 3 – Novembro 2006

Eternizado como um dos campeões da América 2006, o guerreiro Alex ultrapassou várias barreiras do futebol e na vida até chegar ao sonhado Mundial Interclubes.

Do interior do Paraná, do município de Cornélio Procópio, vindo de família humilde, Alex é o legítimo menino orgulho dos pais, pequenos agricultores que deram educação exemplar aos filhos. O jogador mostra desenvoltura qualificada não só nos gramados, mas também com as palavras. Hoje, o meia do Inter é um dos símbolos de criatividade do time campeão da América 2006 e ídolo da torcida colorada.

A trajetória de Alex no futebol não é feita só de alegrias. Após treinar no SESI de Campinas, atuou no Primavera-SP e, aos 17 anos, foi levado para o Guarani, também de Campinas, em 1999. Chegou a pensar em desistir da bola em 2001: “Não tínhamos nem o que comer e fui parar num clube parceiro do Guarani em condições precárias”, recorda.

Em 2003, já de volta ao time campineiro, era um dos destaques da equipe. Chegou em 2004 ao Inter com o peso de ser uma das contratações mais caras dos últimos anos. “Sabia que a responsabilidade seria grande ao ser trazido para um clube com a história do Internacional”. Porém, nestes poucos mais de dois anos e meio se machucou seguidamente. Foram seis lesões. Recuperava-se, mas nem sempre atuava. Não tinha tempo e sequência de jogos para mostrar seu valor. “Estava entrando em campo raramente e nas vezes em que atuava era no fio da navalha para demonstrar que estava bem e daria retorno para o clube”.

Com toda a sua simplicidade, no início da temporada 2006 resolveu conversar com o presidente Fernando Carvalho para falar que se sentia em débito com o dirigente colorado pelo investimento feito: “Com a confiança e o crédito dados pelo presidente, prometi que daria retorno assim que estivesse em condições”. Quando começou a Libertadores 2006 para o Inter, Alex não estava inscrito no campeonato continental em razão de séria lesão no púbis. Recuperado, o jogador disputou sua primeira partida oficial no ano em 18 de março, contra o Novo Hamburgo. Vitória colorada por 1 a 0, com gol de Renteria após ótimo lançamento de Alex. Partida na qual foi escolhido o melhor em campo pela torcida em votação no site oficial do Inter.

Internacional x Libertad – Libertadores 2006

Para a segunda fase da Copa Libertadores da América, Alex acabou inscrito e já na primeira partida, em uma épica vitória por 2 a 1 sobre o Nacional em Montevidéu, ganhou uma oportunidade como titular. Condição que segurou com todas as forças e não largou mais, sendo peça importante do esquema tático do técnico Abel Braga. Nos jogos semifinais contra o Libertad, do Paraguai, o meia foi sinônimo de garra e dedicação. Nos primeiros 90 minutos, 0 a 0, em Assunção. Já em Porto Alegre, em um Beira-Rio lotado, Alex marcou um golaço de fora da área – nos 2 a 0 – comemorou como sempre dando inesquecíveis cambalhotas e mais tarde saiu de campo chorando. O guerreiro estava emocionado, ajudou a classificar o time à tão esperada final. Mas também eram lágrimas de dor, pois jogou com fortes dores no púbis, sem nunca se entregar e deixar de lutar.

Menos de duas semanas depois, o determinado Alex conquistaria em cima do São Paulo o título que estava entalado na garganta da torcida colorada: a Libertadores da América. “Me tornei vencedor e bem contente com esta volta por cima. Foram dificuldades que superei com persistência. Se não tiver uma estrutura e não correr atrás dos seus objetivos, se torna cada vez mais difícil”, afirma o apaixonado por futebol, novelas, automobilismo, estar em paz com a família, tocar violão e fazer amigos. Os sonhos e os obstáculos a serem ultrapassados por este garoto de 24 anos e sotaque caipira, vindo do norte paranaense, não param por aí.

Internacional x Al-Ahli – Mundial de Clubes 2006

Quase na véspera do Mundial Interclubes, o meia lesionou-se mais uma vez, mas agora teve uma recuperação rápida e surpreendente. Voltou a tempo de jogar ainda no encerramento do Brasileirão e estar à disposição do técnico Abel Braga. “Sou o Alex vencedor de hoje também pela força positiva que a torcida me passou. Agradeço a todo esse carinho. Vou continuar jogando futebol da mesma maneira que na Libertadores”. Sobre o Mundial, avisa: “Os melhores clubes do mundo chegam a esta competição. Vamos ser aguerridos e competitivos. Colocar nossa qualidade e força no limite, dar sangue pela camisa colorada para sermos campeões”, promete Alex.

O meia Alex costuma estudar os adversários e os tipos de jogadas a executar, bem como a melhor forma de surpreender em cobranças de falta, uma de suas especialidades. “Procuro sempre criar algo novo em relação a jogadas, chutes, para onde correr e movimentação. Assim como o Fernandão, sempre gosto de saber atalhos dentro de campo”, revela.

Alex e a Taça do Mundial de Clubes 2006

A canhota certeira do Beira-Rio

por Filipe Silveira

Texto publicado na Revista do Inter
Edição número 31 – Ano 5 – Setembro 2008

Artilheiro do Inter, Alex comemora melhor temporada da carreira.

É difícil pensar no Inter atualmente sem a figura de Alex. O meia-atacante é um dos destaques indiscutíveis da temporada 2008. Dos 102 gols marcados pelo time colorado, 24 tiveram a assinatura do artilheiro. Além disso, o jogador é líder em assistências, com 16 passes que resultaram em gols. Em suma, Alex participou ativamente d 40% dos gols do Inter na temporada. “É muito prazeroso estar nesta condição. Estou conseguindo ficar sempre próximo à alegria do gol, seja marcando ou fazendo o passe”, comemora.

Desde 2004 no Beira-Rio, Alex vive o melhor momento da sua carreira. Presente em todas as grandes conquistas recentes do Inter, o jogador segue fazendo história no Clube com chutes certeiros e cobranças de faltas perfeitas com a perna esquerda. No último mês de abril, uma enquete feita pelo Jornal da Globo apontou o jogador como destaque do futebol brasileiro no início da temporada. O ano avançou e Alex manteve o alto desempenho com atuações consistentes e decisivas. “Sem dúvida é a minha melhor temporada em nove anos de carreira profissional. Estou conseguindo manter um bom grau de eficiência”, analisa.

Com a camisa colorada, são 47 gols marcados em 149 partidas, a segunda melhor média do grupo, ficando atrás somente de Nilmar (39 gols em 104 jogos). Grande parte dos gols foi feita através de bolas paradas, uma predileção cultivada desde a infância por Alex. A obsessão pela busca da perfeição do chute começou nas quadra de futsal, onde já mostrava talento. “Joguei futsal dos 7 aos 16 anos. Lembro que chegava em casa depois de ter jogado o dia inteiro e ficava chutando a bola contra a parede. Sempre tive boa batida”, garante. E é na pressão do jogo, no tenso momento que antecede uma cobrança de falta, que Alex mostra toda a sua desenvoltura. Para ele, uma espécie de ritual precisa ser seguido para que se atinja a concentração ideal: “É preciso buscar o foco em tudo que envolve o momento: o goleiro, o posicionamento da barreira e a distância do gol. A passada até a bola também é fundamental. Um erro pode comprometer tudo”, ensina o artilheiro da temporada.

Mas com a bola andando, Alex também não deixa por menos. Contra o Palmeiras, na segunda rodada do returno do Brasileirão, marcou um golaço da intermediária, um dos mais bonitos da sua carreira: o potente e venenoso chute com a canhota surpreendeu o goleiro Marcos. Recentemente, contra o Botafogo, mostrou oportunismo ao desviar o cruzamento de Nilmar que resultou no primeiro gol da vitória de 2 a 1 no Engenhão. “Sou bem resolvido em relação aos gols. Já marquei de todos os tipos. A experiência faz com que você se posicione melhor em campo e esteja no lugar certo na hora certa”, conta.

Alex atribui o sucesso em 2008 à forte preparação no começo da temporada e ao longo processo de aprendizagem que viveu dentro do Inter. A polivalência do jogador fez com que ele experimentasse diferentes funções dentro do time, tirando de cada momento uma experiência valiosa para o futuro. Alex desembarcou no Beira-Rio vindo do Guarani-SP na condição de meia, mas acabou exercendo até mesmo uma função defensiva na vitoriosa campanha na Libertadores de 2006. “Naquela formação eu jogava resguardando as investidas do Tinga no ataque e acabava sendo um terceiro volante, praticamente invertendo de posição com ele”, recorda. Em 2007, Alex foi testado na lateral-esquerda. Nesta temporada, passou a fazer companhia a Nilmar no ataque. “Passei por diversos estágios, fui até mesmo tapa-buraco algumas vezes. Mas agora estou jogando exatamente onde gosto, na condição de definidor, por isso os gols estão saindo”, avalia.

Com contrato até 2011, Alex é colorado de carteirinha. Natural de Cornélio Procópio, no interior paranaense, o artilheiro aprendeu a gostar do Inter e da cidade de Porto Alegre. “Fui muito bem acolhido pela cidade e pelos torcedores. Criei um laço muito forte com o Inter. O futebol dá muitas voltas, mas no Brasil é difícil de pensar de não atuar em outro time”, revela. Pai há dois anos, Alex ensina ao pequeno Lucas os primeiros passos no futebol. Por enquanto, o chute ainda é com a perna direita, mas por pouco tempo. “Vou ensinar o caminho da felicidade com a canhota”, promete o meia-atacante.

Ficha
Nome:
Alex Raphael Meschini
Nascimento: 25/03/1982
Local: Cornélio Procópio (PR)
Posição: Meia
Partidas: 168
Gols: 58
Números em 2008:

Clubes
2003-2004 – Guarani (Jogos: 40; Gols: 6)
2004-2009 – Internacional (Jogos: 168; Gols: 68)
2009-Atual – Spartak Moscou (Jogos: 34; Gols: 12)

Seleção Nacional
2008 – Brasil (Jogos: 4; Gols: 0)

Títulos Regionais
Campeonato Gaúcho: 4 (Clube: Internacional; 2004, 2005, 2008 e 2009)

Títulos Continentais
Copa Libertadores da América: 1 (Clube: Internacional; 2006)
Recopa Sul-Americana: 1 (Clube: Internacional; 2007)
Copa Sul-Americana: 1 (Clube: Internacional; 2008)

Títulos Intercontinentais
Copa do Mundo de Clubes FIFA: 1 (Clube: Internacional; 2006)

Artilharia
Campeonato Gaúcho: 2008 (Clube: Internacional; Gols: 13)
Copa Sul-Americana: 2008 (Clube: Internacional; Gols: 5)

Prêmios
Melhor Meia do Campeonato Gaúcho 2008
Melhor Jogador do Campeonato Gaúcho 2008
Chuteira de Ouro do Campeonato Gaúcho 2008
Troféu Mesa Redonda 2008
Melhor Meia Esquerda do Brasileirão 2008
Craque do Brasileirão 2008

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