Assine por e-mail

Receba os artigos do VVI por e-mail

19 dez/10

Índio, o Senhor Grenal

Índio: guardião da defesa

por Felipe Silveira

Texto publicado na Revista do Inter
Edição número 57 – Ano 6 – Novembro 2010

Era difícil imaginar que o rapaz humilde de Maracaí, no interior de São Paulo, um dia faria história com a camisa do Internacional. Mas Marcos Antônio de Lima, ou simplesmente Índio, conseguiu deixar a vida de cortador de cana para trás e triunfou no competitivo futebol brasileiro. Ele superou muitas dificuldades, inclusive uma grave lesão que quase interrompeu sua carreira, e pôde chegar ao Beira-Rio, em 2005, para defender o time colorado nas plagas distantes.

Assim como foi desde o começo de sua trajetória, Índio agarrou a chance que ganhou do Inter e entrou para a galeria dos maiores zagueiros da centenária história do Clube. Participou das principais conquistas recentes e é o jogador do grupo atual que mais vezes vestiu a camisa do Campeão de tudo, tendo atuado em 277 partidas até o fechamento desta edição. Não teve um ano sequer que ficou sem erguer uma taça desde sua chegada ao Beira-Rio. Apesar de jogar na defesa, tem predileção por marcar gols, tanto que, recentemente, ultrapassou o lendário zagueiro Figueroa ao marcar o 27º gol pelo Inter. Com contrato renovado até 2012, Índio sonha em alcançar ainda mais glórias, afinal, nada é impossível para este guerreiro colorado.

Bituqueiro em Maracaí

O dia mal havia raiado em Maracaí, cidade localizada a 473 quilômetros da capital paulista, e o garoto de 17 anos já estava na dura lida da usina de cana-de-açúcar. No verão escaldante, desde as primeiras horas do dia, trabalhava nos canaviais ajudando a recolher pedaços da matéria-prima do álcool e do açúcar que caíam dos caminhões durante a colheita, na função conhecida como “bituqueiro”. O cabelo queimado pelo sol e a cara inchada lhe renderam desde muito cedo o apelido de Índio, que acabou virando seu nome de guerra dentro dos gramados. Para incrementar a renda da família, também vendeu pastéis e sorvetes pelas ruas da pequena cidade de cerca de 13 mil habitantes (dados do Censo de 2000). Até gás entregou nos tempos difíceis no interior. Trabalhava de segunda a sábado, mas sempre gostou de jogar na defesa ou mesmo como ponteiro-direito no time da usina.

Um dia, Vitor, que era jogador do Novorizontino, time do interior de São Paulo, o convidou para fazer um teste. “Lembro que ele disse que eu teria que me preparar fisicamente, então passei a treinar depois do trabalho”, conta Índio. Mas isso não foi problema, pois naquela época, por volta dos 19 anos, o futuro jogador já tinha o porte físico avantajado que chama a atenção até hoje. Índio possui uma massa muscular superdotada. Suas panturrilhas, por exemplo, têm um tamanho descomunal se comparadas às dos demais jogadores. “Ele tem um potencial genético muito qualificado, com um nível superior de força física. O ambiente no qual ele foi criado também potencializou a sua hereditariedade. Ele é um homem destemido”, observa o coordenador de preparação física, Élio Carravetta. Mesmo tendo começado relativamente tarde no futebol, Índio profissionalizou-se assim que vestiu a camisa do Novorizontino e, de cara, disputou a Série C do Brasileirão.

Carreira por um triz

Depois de ficar três anos no Novorizontino, Índio foi contratado pelo Bragantino. Foi então que o jogador, na época com 22 anos, sofreu uma grave lesão no tornozelo direito. O músculo sofreu um forte trauma e passou a ter problema de irrigação sanguínea (síndrome compartimental), que acabou agravando pela ausência de tratamento adequado. “Teve um dia que o médico olhou para a minha perna e disse que eu precisava fazer uma operação urgentemente, senão corria o risco de ter que amputá-la”, recorda o jogador. Por sorte, deu tudo certo no procedimento cirúrgico, e a única marca que ficou da lesão é uma densa cicatriz no tornozelo.

Porém, o pós-operatório foi bastante complicado. Índio ficou longe dos gramados por longos 6 meses, sem receber salário, e teve até que se desfazer de um carro para pagar as dívidas. Praticamente abandonado, o zagueiro chegou a pensar em largar o futebol. “Liguei para a minha mãe e disse que iria voltar para Maracaí para dirigir caminhão na usina. Mas ela insistiu que eu não fizesse isso, pois me arrependeria depois. Em todos momentos difíceis da vida, sempre me apeguei muito à fé, à palavra de Deus”, frisa o zagueiro de 35 anos. As palavras da dona Aparecida foram sábias, já que o filho viria a construir uma sólida carreira futebolística.

Em 1999, Índio deu a volta por cima e foi para o Santo André-SP, clube pelo qual se destacou marcando muitos gols, virtude que cultiva ao longo da sua trajetória apesar de ser um defensor. Após passar pelo Figueirense, foi chamado pelo técnico Muricy Ramalho para reforçar o Botafogo-SP. Anos depois, em 2005, Muricy voltaria a requisitar sua contratação, desta vez para o Inter. Índio teve passagens pelo Etti Jundiaí-SP e América-MG antes de chegar ao Juventude, em 2002. Teve também uma rápida experiência no Palmeiras antes de fixar-se como um dos principais jogadores da Serra Gaúcha nas temporadas de 2003-2004. No seu melhor estilo zagueiro-artilheiro, Índio chegou a marcar contra o Inter. Em 2005, assinou com o time do Beira-Rio e mudou para sempre a história da sua vida.

Uma lenda na zaga colorada

Depois de passar por vários times em pouco mais de uma década, o zagueiro foi recebido no Beira-Rio com respeito e admiração por parte do Presidente Fernando Carvalho e do técnico Muricy Ramalho. “Todos me deram muita moral. Isso foi diferente dos outros clubes, porque aqui no Inter me senti muito respeitado”, comenta Índio. A retribuição veio por meio da sua eficiência e dedicação dentro de campo. Vestindo tanto a camisa 3 como a 4, esteve presente em todos os títulos conquistados nas últimas 5 temporadas. E não foram poucos: tricampeão gaúcho (2005, 2008 e 2009), bicampeão da Libertadores (2006 e 2010), campeão do Mundial FIFA (2006), da Recopa (2007) e da Copa Sul-Americana (2008). São faixas e mais faixas no peito de um zagueiro que será para sempre lembrado nos autos da história do Internacional.

Sangue pelo Inter

A batalha travada na final do Mundial FIFA, no Japão, em 2006, é um importante capítulo da história do Inter no qual Índio desempenhou papel destacado. Em um dos momentos mais tensos da decisão, nos 15 minutos finais do duelo com o Barcelona, ele fraturou o nariz em um choque com o companheiro Edinho. Seu sangue rubro contrastou com o verde cintilante do gramado em Yokohama. Como um guerreiro que nada teme, Índio recuperou-se o mais rápido que pôde e voltou para o jogo com chumaços de algodão no nariz. Aos 36min, espremido entre a linha de fundo da defesa e a marcação do adversário espanhol, o zagueiro disparou um chutão para frente, dando início ao gol mais comemorado dos últimos tempos. A bola passou caprichosamente pelo atacante Luiz Adriano, no meio-campo, antes de chegar até os pés ágeis de Iarley, que deixou Adriano Gabiru livre para escrever o final feliz da histórica conquista mundial. Iluminado, Índio terá o privilégio que poucos experimentaram de chegar novamente a um Mundial FIFA. No ano em que renovou seu vínculo com o Inter por mais duas temporadas, ele poderá lutar pelo bicampeonato novamente em terras distantes, desta vez em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. “Acredito que é possível repetir o feito. Naquela oportunidade no Japão, todo o grupo estava muito fechado. Todo mundo sabia que dava para chegar lá. Agora não pode ser diferente. É a mobilização que faz a diferença em jogos tão decisivos”, ensina o zagueiro.

Sempre se superando

A força de vontade de Índio foi mais uma vez colocada à prova nesta temporada. Antes de conquistar o bicampeonato da América, o jogador passou por momentos difíceis e teve que reconquistar o seu espaço no time. Em abril, sofreu um grave ferimento no pulso em um acidente doméstico. Ficou mais de dois meses longe dos gramados se recuperando. Enquanto isso, o Inter lutava pelo título da Libertadores. “Por isso treinava sem parar para ficar à disposição o quanto antes”, conta o zagueiro. Quando o técnico Celso Roth assumiu o time durante a pausa da Copa do Mundo, Índio ganhou uma vida nova na equipe a partir das semifinais da competição continental, mas com o desafio de atuar pelo lado esquerdo da zaga, função nunca antes desempenhada pelo jogador. Mas ele tirou de letra e, ao lado de Bolívar, foi um gigante na defesa. “O Celso foi muito importante para apostar em mim desde o começo. Agradeço muito a oportunidade que ele me deu”, reconhece Índio.

Ídolo eterno como Figueroa

A comparação com o ídolo da década de 70 é inevitável, afinal, assim como Figueroa, Índio é um zagueiro extremamente identificado com o Inter. Mais do que isso. Ele também costuma marcar muitos gols, a exemplo do que fazia o lendário defensor chileno. Recentemente, Índio superou a marca de Figueroa, que tinha 26 gols em 320 partidas com a camisa colorada. O atual zagueiro do Inter tem 27 gols anotados em 276 jogos (número atualizado até o Gre-Nal 383). Nenhum outro jogador da sua posição marcou mais gols na centenária história do Inter – André Luís, zagueiro nos anos 70 e 80, marcou 28 em 352 partidas, porém, ele também atuava como lateral-esquerdo. “O Figueroa é uma lenda. Mas é muito bom pensar que no futuro também poderei ser lembrado como um cara que marcou história no Inter”, afirma Índio.

Homem Gre-Nal

Marcar gols no clássico gaúcho é outra especialidade deste zagueiro com cacoete de artilheiro. Já deixou sua marca em cinco Gre-Nais, em jogos pelo Brasileirão, Sul-Americana e Gauchão (veja abaixo). Sempre que um escanteio for cobrado, lá estará Índio na grande área para tentar o cabeceio. Mas não é só pelo alto que ele costuma surpreender os goleiros. Índio também tem qualidade no arremate com os pés. No clássico 376, chutou de chapa com o pé direito e venceu o goleiro Victor. Foi um gol emblemático, o 100º do Inter em clássicos no Gre-Nal de número 100 do Beira-Rio. No clássico anterior (375) também havia marcado em um forte chute na vitória por 2 a 1 que garantiu o título da Taça Fernando Carvalho. No último Gre-Nal, de número 383, por detalhe não fez o seu sexto gol. O zagueiro cabeceou e Rochemback colocou a mão na bola no interior da área. Pênalti! Alecsandro cobrou e converteu.

Todos os gols de Índio pelo Inter

Juventude 1 x 2 Inter – Gauchão – 20/03/2005 – 1 gol

Inter 4 x 0 Veranópolis – Gauchão – 23/03/2005 – 1 gol

Inter 5 x 2 Juventude – Brasileiro – 17/07/2005 – 1 gol

Inter 3 x 1 São Paulo – Brasileiro – 14/05/2006 – 2 gols

Inter 1 x 1 Cruzeiro – Brasileiro – 28/05/2006 – 1 gol

Inter 3 x 2 Paraná – Brasileiro – 30/09/2006 – 1 gol

Inter 3 x 0 Fortaleza – Brasileiro – 11/11/2006 – 1 gol

Inter 3 x 0 Emelec – Libertadores – 28/02/2007 – 1 gol

Inter 3 x 0 São Luiz – Gauchão – 23/02/2008 – 1 gol

Inter 5 x 1 Paraná – Copa do Brasil – 23/04/2008 – 1 gol

Inter 8 x 1 Juventude – Gauchão – 04/05/2008 – 1 gol

Palmeiras 2 x 1 Inter – Brasileiro – 18/05/2008 – 1 gol

Grêmio 1 x 1 Inter – Brasileiro – 29/06/2008 – 1 gol

Atlético-PR 1 x 1 Inter – Brasileiro – 13/07/2008 – 1 gol

Inter 4 x 1 Palmeiras – Brasileiro – 20/08/2008 – 2 gols

Grêmio 2 x 2 Inter – Sulamericana – 28/08/2008 – 1 gol

Inter 4 x 1 Grêmio – Brasileiro – 28/09/2008 – 1 gol

Inter 2 x 1 ULBRA – Gauchão – 22/02/2009 – 1 gol

Inter 2 x 1 Grêmio – Gauchão – 01/03/2009 – 1 gol

Inter 2 x 0 União-MT – Copa do Brasil – 04/03/3009 – 1 gol

Inter 2 x 1 Grêmio – Gauchão – 05/04/2009 – 1 gol

Inter 5 x 0 Guarani – Copa do Brasil – 22/04/2009 – 1 gol

Inter 4 x 1 Santo André – Brasileiro – 06/12/2009 – 1 gol

Avaí 0 x 1 Inter – Brasileiro – 25/08/2010 – 1 gol

Uma Fortaleza Chamada Índio

por Andre Baibich

Texto publicado na Revista do Inter
Edição número 13 – Ano 4 – Março 2007

Jogador supera os momentos difíceis com lesões e se firma cada vez mais como o xerife da defesa colorada

Quem acompanha a trajetória de Índio, desde a chegada do zagueiro ao Beira-Rio, no início de 2005, já assistiu demonstrações impressionantes da garra do jogador. Vestindo a camisa do Inter, Índio já quebrou a costela, sofreu perfuração no pulmão e uma fratura no nariz. O período difícil das lesões foi vencido com a persistência do jogador e ele acabou se afirmando como uma das principais figuras do Inter nos últimos anos. Hoje, o zagueiro diz estar passando pelo melhor momento de sua carreira, que começou no Novorizontino, em 1993, teve passagens por Palmeiras e Juventude, até a chegada ao Internacional há dois anos. Ao lado de nomes como Tinga e Jorge Wagner, Índio firmou-se como titular da equipe.

O jogador foi ganhando a confiança da torcida e do treinador Muricy Ramalho, e ajudou o Inter a ganhar seu quarto título estadual seguido, em uma final emocionante em Campo Bom, contra o 15 de Novembro. A trajetória do zagueiro continuou com atuações de destaque no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana daquele ano, até que chegou o momento mais difícil da sua passagem pelo Inter.

Em partida válida pela Copa Sul-Americana, contra o Rosário Central, da Argentina, no Estádio Beira-Rio, Índio quebrou a costela e sofreu uma perfuração no pulmão, o que tirou o jogador dos gramados por oito meses. “A lesão é difícil para qualquer jogador. É preciso ter uma cabeça muito forte para aguentar”, diz.

Na volta da lesão, Índio já não era mais titular. Bolívar se destacava na zaga central no início de 2006, sob o comando de Abel Braga. Mas Índio não desanimou. O jogador afirma “que nessa hora, é preciso respeitar o outro ser humano que esta trabalhando sério. O Bolívar teve a chance dele e aproveitou. Eu segui trabalhando para estar pronto quando a minha chance aparecesse”. O zagueiro acabou sendo um dos grandes nomes da conquista da América, entrando inclusive na decisiva partida contra o São Paulo, no Beira-Rio.

Com a saída de Bolívar após a Libertadores, Índio reassumia a titularidade. O jogador passou a formar uma defesa sólida nas partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro. O Inter chegou a ficar 772 minutos sem levar gols na competição, tempo recorde nas participações coloradas no Brasileirão.

As atuações seguras garantiram a Índio o prêmio “Bola de Prata”, da Revista Placar, como melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro. O jogador garante que este prêmio foi a coroação de um ano cheio de conquistas: “Em um ano que teve o título da Libertadores e depois o do Mundial, ser considerado o melhor do Brasil na minha posição foi muito bom.”

Mas o melhor ainda estava por vir. O Inter se preparava para disputar o Mundial de Clubes, no Japão. Apesar do favoritismo do Barcelona, o jogador garante que o grupo de jogadores nunca duvidou que o título era possível. Segundo o zagueiro, todos tinham consciência de que se o Inter passasse pelo primeiro jogo e a ansiedade que o cercava, ficaria mais tranquilo para a disputa final.

O otimismo provou-se justificado com a maior conquista da história do clube, em uma partida memorável contra o Barcelona. Índio foi um dos responsáveis por parar o terrível ataque catalão. A garra do zagueiro ficou evidenciada no lance da lesão que o fez sangrar pelo nariz e sair de campo na maca. O volante Edinho o acertou com uma cotovelada acidental, o que acabou causando uma fratura no nariz do jogador.

Durante o período que ficou fora de campo, Índio viu a equipe sofrer a pior pressão da partida, com o Barcelona desperdiçando chances de gol que poderiam comprometer o sonho colorado do título mundial. Mas o jogador voltou a campo para dar início ao lance que nenhum torcedor vai esquecer. Pressionado pela marcação adiantada dos espanhóis, o zagueiro demonstrou sua seriedade característica e soltou a perna esquerda em um chutão que chegou ao centro do gramado, resultando no contra-ataque que deu ao Inter a vantagem que acabou garantindo a vitória.

São estes momentos que garantem a presença na história do Inter como um dos principais zagueiros. O jogador e a torcida só esperam que Índio possa cada vez dar mais alegrias aos colorados com sua disposição inesgotável.

Ficha
Nome:
Marcos Antônio de Lima
Nascimento: 14/02/1975
Local: Maracaí (SP)
Posição: Zagueiro
Partidas: 283
Gols: 27

Clubes
2005-Atual – Internacional (Jogos: 283; Gols: 27)
2003-2004 – Juventude
2003 – Palmeiras
2002 – Juventude
2002 – Botafogo-SP
2001 – América-MG
2001 – Paulista
2000 – Figueirense
1999-2000 – Botafogo-SP
1999 – Santo André
1997-1998 – Bragantino
1994-1996 – Novorizontino

Títulos Regionais
Campeonato Gaúcho: 3 (Clube: Internacional; 2005, 2008 e 2009)

Títulos Continentais
Copa Libertadores da América: 2 (Clube: Internacional; 2006 e 2010)
Recopa Sul-Americana: 1 (Clube: Internacional; 2007)
Copa Sul-Americana: 1 (Clube: Internacional; 2008)

Títulos Intercontinentais
Copa do Mundo de Clubes FIFA: 1 (Clube: Internacional; 2006)

Prêmios
Craque do Brasileirão 2006: Zagueiro Central – 2º lugar
Bola de prata seleção 2006

PRÓXIMOJOGO

BLOGPLAYERS

ARQUIVOS