Falcão: Em campo, ele foi Rei
por Felipe Silveira
Texto publicado na Revista do Inter
Edição número 62 – Ano 7 – Abril 2011
Quem o viu jogar, não poupa elogios. Aos mais novos, resta o recurso dos vídeos de época para saber quem foi este talentoso volante que fez história no Inter. Porém, até mesmo estes colorados de gerações mais recentes conseguem ter a real dimensão da importância de Falcão, um jogador diferenciado, que fez sucesso no time colorado, na Roma e na Seleção Brasileira.
Aos 11 anos, ele entrou para as categorias de base do Inter. Se virava como podia para vir aos treinos que eram realizados em um campo onde hoje existe um supermercado no bairro Menino Deus. Residente em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, até garrafas velhas vendeu para juntar dinheiro para condução. O Inter ainda estava sediado nos Eucaliptos quando Falcão começou a chamar a atenção dos técnicos. Aos 19 anos, já no Beira-Rio, pouco depois de ser convocado para a Seleção Olímpica, assumiu a titularidade de um time que viria a fazer história nos anos seguintes.
Falcão era um volante implacável na marcação, mas que chegava com muita qualidade na frente, tanto que marcou diversos gols ao longo da carreira. Tinha uma técnica muito apurada. Jogava com elegância, de cabeça erguida, como se costuma dizer no futebol. Inteligente, encontrava espaços que poucos viam no campo. Lançamentos primorosos viraram uma marca registrada, assim como a comemoração dos gols – um salto seguido de um soco no ar. Pelo Inter, foi tricampeão brasileiro (1975, 1976 e 1979), tendo protagonizado lances memoráveis nesta trajetória. Um deles rendeu até um painel no corredor do time visitante que dá acesso ao campo do Beira-Rio.
Foi contra o Atlético-MG, pela semifinal do Brasileirão de 1976, em casa. O jogo estava empatado em 1 a 1, mas nos 47min do segundo tempo, Falcão fez uma tabela incrível com Escurinho e marcou o gol da vitória. A dupla trocou três passes de cabeça, sem deixar a bola cair no chão, até que Falcão desferiu, também no ar, um chute contra o goleiro Ortiz. O Inter passou à final, na qual bateu o Corinthians e conquistou o bicampeonato nacional. Houve muitos outros lances e gols magistrais que ficaram eternizados na história do futebol brasileiro. O espaço é insuficiente para descrevê-los. No seu currículo, ainda estão cinco campeonatos estaduais (73, 74, 75, 76 e 78) que fizeram para do inédito octacampeonato gaúcho (69 a 76).
Em 1983, três anos depois de deixar o Inter, ganhou a alcunha de “Rei de Roma”, ao ser um dos principais jogadores na conquista do título nacional, o famoso “Scudetto“, feito que não era alcançado desde 1942 pelo time da capital italiana. Encerrou sua carreira de jogador pelo São Paulo em 1986. Falcão também teve passagem destacada pela Seleção Brasileira, formando o antológico “quadrado mágico” com Sócrates, Cerezo e Zico na copa de 1982. Em 1986, disputou o Mundial do México, mesmo ano em que encerrou sua carreira como jogador defendendo o São Paulo.
“Dizem que um jogador sozinho não ganha um campeonato.
Mas o Falcão de 79 seria vice com certeza.”
Luís Fernando Verissimo, escritor e torcedor do Internacional
“Falcão, tu fostes ungido como o oitavo rei de Roma.”
Jornal Gazzetta dello Sport, 1983
“Quem é melhor, Falcão ou Mococa?”
Jornal da Tarde, na véspera de Palmeiras 2 x 3, referindo-se ao duelo
entre o craque do Inter e o destaque palmeirense da época
“Falcão, é claro!”
Jornal da Tarde do dia seguinte ao duelo, que ficou marcado pela
maior apresentação de Falcão em todos os tempos
“Não perdemos para um time.
Perdemos para o maior jogador do mundo.”
Dirigentes palmeirenses, ainda repercutindo o jogo
contra o Internacional em 1979. Falcão vivia o melhor
momento de sua carreira
“Aquela armação de meio-campo foi perfeita.”
Zico, sobre o quadrado mágico Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico
Nova oportunidade no comando
Esta será a segunda vez que Falcão estará na casamata do Inter. Após passagens como treinador da Seleleção Brasileira, do América do México e da Seleção Japonesa, em 1993 ele comandou o time colorado no Campeonato Brasileiro, alcançando um aproveitamento de 50% (em 14 jogos foram cinco vitórias, cinco derrotas e quatro empates). Mas agora Falcão espera ter uma vida mais longa à frente do seu clube do coração. “Venho com o objetivo de bater recordes de maior permanência no cargo”, projeta.
Ficha
Nome: Paulo Roberto Falcão
Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 16/10/1953
Naturalidade: Abelardo Luz (SC) – Brasil
Posição: Meia
Clubes (Como jogador)
1985-1986 - São Paulo
1980-1985 - Roma [Itália]
1973-1980 – Internacional
Clubes e Seleção (Como técnico)
2011 - Internacional
1994-1995 - Seleção Japonesa
1993 – Internacional
1991-1993 - América [México]
1990-1991 - Seleção Brasileira
Seleção Brasileira (Como jogador) [Jogos: 34; Gols: 7]
Copa do Mundo (1982 – Espanha e 1986 – México)
Copa América (1979)
Seleção Brasileira (Como técnico)
Copa América (1991)
Títulos (Como jogador)
Títulos Regionais
Campeonato Gaúcho: 5 (Clube: Internacional; 1973, 1974, 1975, 1976 e 1978)
Campeonato Paulista: 1 (Clube: São Paulo; 1985)
Títulos Nacionais
Campeonato Brasileiro: 3 (Clube: Internacional; 1975, 1976 e 1979 [Invicto])
Campeonato Italiano: 1 (Clube: Roma; 1982/1983)
Copa da Itália: 2 (Clube: Roma; 1981 e 1984)
Títulos pela Selação Brasileira
Mundial Sub-20: 1 (2003)
Copa das Confederações: 1 (2009)
Torneio Pré-olímpico: 1 (1971)
Copa Roca: 1 (1976)
Taça do Atlântico: 1 (1976)
Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos: 1 (1976)
Equipe Fair Play da Copa do Mundo: 2 (1982 e 1986)
Títulos (Como técnico)
Títulos Regionais
Campeonato Gaúcho: 1 (Clube: Internacional; 2011)
Títulos Continentais
Copa Interamericana: 1 (Clube: América [MEX]; 1991)
Copa dos Campeões da CONCACAF: 1 (Clube: América [MEX]; 1992)
Prêmios (Como jogador)
Bola de Prata Revista Placar : 1975, 1978 e 1979
Bola de Ouro Revista Placar: 1978 e 1979
3º Maior Futebolista sulamericano do ano: 1979
Bola de prata da Copa do Mundo Fifa: 1982
Craque do time das estrelas da Copa do mundo (World cup all-star team player): 1982
2º Maior Futebolista sulamericano do ano: 1982
3º Lugar do Premio Onze d’Or de Maior Jogador da Europa no Ano eleito pela Revista Francesa Onze Mondial: 1982
3º Melhor jogador do Mundo eleito pela revista inglesa “World Soccer” : 1982
3º Melhor jogador do Mundo eleito pela revista inglesa “World Soccer” : 1983
2º Lugar do Premio Onze d’Or de Melhor Jogador da Europa no Ano eleito pela Revista Francesa Onze Mondial: 1983
Décimo Segundo Maior jogador Brasileiro do Século XX Pela IFFHS: 1999
Maiores jogadores do século “América do Sul” IFFHS: 1999
100 Craques do Século – World Soccer: 1999
FIFA 100: 2004






