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1 abr/11

Escurinho, de cabeça, era gol certo

por André Baibich

Texto publicado na Revista do Inter
Edição número 23 – Ano 5 – Janeiro 2008

Meia costumava entrar e decidir as partidas no timaço dos anos 70

O primeiro jogo da decisão do Campeonato Gaúcho de 1975 estava complicado para o Inter. O Grêmio vencia o clássico por 1 a 0 no Estádio Olímpico e sua torcida cantava eufórica com a vitória parcial. Foi quando o técnico Rubens Minelli chamou Escurinho para entrar.

O ex-jogador até hoje lembra o silêncio que tomou conta da torcida gremista quando ele se encaminhava à mesa para assinar a súmula. A torcida adversária parecia prever o gol de cabeça do meia, marcado aos 45min do segundo tempo, que empatou a partida e levou a decisão para o Beira-Rio, onde o Inter venceu e conquistou o sétimo título estadual consecutivo.

Essa foi só mais uma das partidas decididas por Escurinho nos anos 70. O jogador era um reserva de luxo da equipe bicampeã brasileira em 1975/76 e costumava marcar gols importantes em jogos decisivos.

A ligação de Escurinho com o Inter vem desde sua infância. O jogador era um torcedor fanático e lembra até hoje das visitas que fazia ao terreno onde foi construído o Beira-Rio, na década de 60.

A formação de Escurinho como jogador foi toda feita no Inter. Com 11 anos, começou sua trajetória nas categorias de base do clube. Sua chegada à equipe profissional aconteceu em 1970, depois de Escurinho marcar 59 gols no Campeonato Gaúcho de juvenis do ano anterior.

O início foi difícil. O meia lembra que garantir espaço na equipe era tarefa árdua e ele acabou sendo emprestado para clubes do interior gaúcho, voltando a seu clube do coração em 1972 para participar de campanhas vitoriosas em campeonatos regionais. Em 1974, foi titular absoluto da equipe que conquistou o hexacampeonato estadual vencendo todas as partidas.

No ano seguinte, o Inter realizou uma excursão pela Europa para a disputa de amistosos. Escurinho não viajou por não ter renovado contrato. Durante a excursão, destacou-se o poder de marcação e o vigor de Caçapava. Escurinho então passou a exercer a função que definiu como “comandante do banco”.

Na campanha do bicampeonato nacional, sempre que o técnico Rubens Minelli precisava de uma alternativa mais ofensiva, recorria a Escurinho. O jogador entrava e levava perigo no jogo aéreo, sua especialidade desde as categorias de base.

Escurinho deixou o Inter em 1978 e rodou por clubes brasileiros e sul-americanos antes de se aposentar em 1986. Sua ligação com o Inter, porém, nunca terminou. Até hoje o ex-jogador é um torcedor fervoroso e conta com orgulho que o ex-presidente Fernando Carvalho declarou várias vezes que vibrava com os gols de Escurinho nos anos 70.

No primeiro encontro entre os dois após a conquista do título mundial, o antigo ídolo colorado retribui ao dirigente, afirmando: “Se eu lhe dei alegrias quando o senhor era criança, o senhor fez um homem de 58 anos chorar.”

Em 2009, Escurinho precisou amputar parte de uma das pernas em função de problemas de saúde, como insuficiência renal e diabetes. Para ajudar no tratamento, o Internacional decidiu doar para ele a bilheteria do filme “Nada vai nos separar”, que narra os 100 anos de existência do Colorado, comemorados em 2009.

Curiosidades

Além de marcar gols, o meia participou de um dos lances inesquecíveis da história colorada, quando fez uma tabela de cabeça com Falcão que iniciou no meio-campo e terminou com a conclusão do camisa 5 na área do Atlético-MG, adversário naquela semifinal do Brasileiro de 1976.

Escurinho lembra que treinava sua impulsão e a movimentação na grande área pulando e correndo com um colete de 8kg.

Ficha
Nome: Luís Carlos Machado
Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 18/01/1950
Naturalidade: Porto Alegre (RS) – Brasil
Posição: Meia atacante

Clubes
1986 - Avenida
1985 - La Serena [Chile]
1984 - Caxias
1983 - Bragantino
1982 - Vitória
1980-1981 - Barcelona de Guayaquil [Equador]
1980 - Coritiba
1979 - Internacional de Limeira
1978 - Palmeiras
1970-1977 – Internacional

Títulos Regionais
Campeonato Gaúcho: 7 (Clube: Internacional; 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1976)

Títulos Nacionais
Campeonato Brasileiro: 2 (Clube: Internacional; 1975 e 1976)
Campeonato Equatoriano: 1 (Clube: Barcelona de Quayaquil; 1980)

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